Tento falar, não sai. A necessidade de cuspir palavras tortas, vomitá-las, essa necessidade dizer mesmo na falta de palavras. Ainda não sei administrar toda uma situação em silêncio e sem ações, fica difícil assim explicar se é uma ausência de sentimentos ou se apenas estou a transbordá-los.
Falta certeza do muito e do nada que vejo através dos olhos seus e sinto um turbilhão de carinhos, espaços e apertos entres os lençóis. A cama aberta entre o espaço dos seus braços em minhas costas e a ausência da alma quente e dos olhares cúmplices.
Misturo as saudades anteriores com o cheiro nostálgico ainda presente nas minhas segundas-feiras de manhã que andam me fazendo falta. Incerteza de um encaixe perfeito ou se apenas mais uma…passagem. Aquela história dos meus deja-vus macabros que acabo por carregar muito das pessoas que aprendo a amar e admirar e fico com a estranha e amarga sensação de não deixar nenhuma parte de mim.
Uma combinação em sonhos e planos em uma divergência de pensamentos e mais uma vez ações.
O desejo do corpo intenso em suores, espasmos e cheiros que muitas vezes desgasta-me o coração e fito-me ao que vejo através dos seus olhos.



