teresópolis

Tento falar, não sai. A necessidade de cuspir palavras tortas, vomitá-las, essa necessidade dizer mesmo na falta de palavras. Ainda não sei administrar toda uma situação em silêncio e sem ações, fica difícil assim explicar se é uma ausência de sentimentos ou se apenas estou a transbordá-los.

Falta certeza do muito e do nada que vejo através dos olhos seus e sinto um turbilhão de carinhos, espaços e apertos entres os lençóis. A cama aberta entre o espaço dos seus braços em minhas costas e a ausência da alma quente e dos olhares cúmplices.

Misturo as saudades anteriores com o cheiro nostálgico ainda presente nas minhas segundas-feiras de manhã que andam me fazendo falta. Incerteza de um encaixe perfeito ou se apenas mais uma…passagem. Aquela história dos meus deja-vus macabros que acabo por carregar muito das pessoas que aprendo a amar e admirar e fico com a estranha e amarga sensação de não deixar nenhuma parte de mim.

Uma combinação em sonhos e planos em uma divergência de pensamentos e mais uma vez ações.

O desejo do corpo intenso em suores, espasmos e cheiros que muitas vezes desgasta-me o coração e fito-me ao que vejo através dos seus olhos.

no próximo ponto

Sentia o perfume a espalhar por entre aqueles cabelos molhados e da nuca, à mostra, escorria leve gota de suor tão normal a esses verões tropicais. Pés inqueitos balançavam, compulsivamente, assim como alinhava os cachos desgrenhados pelo vento e conseguia nessa desordem emaranhada refletir-se em mim um sorriso que entregava entre olhos apertados ao livro que lia no balançar do ônibus. O perfume espalhava com todo aquele vento e eu podia da fileira de trás sentir seu gosto, o ardor de sua pele entre o vestido de alça e imaginá-la a falar e falar. Desceu no próximo ponto, trazendo seu perfume e pude vê-la andar entre fumaças e perder-me no barulho intenso do trânsito ao imaginá-la com as pernas descobertas por entre os lençóis do meu apartamento, mesmo que em uma noite. Uma noite.

manhãs

as dores chegam, os olhos enchem-se de lágrimas

tantas, sem espaços.

 

sorrio,

nos silêncios dos abraços, em manhãs de chuva.

 

percorro, entre os lençóis

todo cheiro de nossos corpos.

 

danço por entre espaços teus

até outra manhã.

(L)

 

(L)

pedaço meu ao lado teu
em recortes diversos.

no surprises

não tenho uma e me faltam várias.

Tal qual extratos de banco

É um fato, houve mudanças. Algumas tantas que não tinha tomado consciência, que não queria ver que existiam, algumas que não há porquê procurar. Mudança de ares, vizinhança nova e talvez onde me sinta cada dia mais em casa. Pessoas que sumiram da minha vida, tais quais os extratos de banco, essas que não deixaram nada, que não se importaram em deixar. Outras se perderam por aí, entre tantas outras pessoas. E claro, outras tantas surgiram, cada qual com sua intensidade e brilho e tornando-se cada dia mais presente, oferecendo mais sorrisos tal qual os reais, os de sempre não partem jamais, com distâncias físicas, excesso de trabalho permanecem e esses levam de nós tanto quanto nos deixam. Sinto que 1 ano se passou, hoje percebo que coisas que não tinham muita importância me caem por terra, e novamente vem aquele cheiro nostálgico que nos envolve sorrisos entre lágrimas. Muito mudou aqui dentro, muito se foi e muito trabalhei duro a conquistar e vendo o mundo de forma mais transparente e sem “ranços” percebi que aí fora também houve mudanças e já não me importa se eu fiz parte disso, acredito que sim e esse agora é só mais um motivo para rir com os olhos. Deixar-me revelar, aos poucos, entre meus tragos, o desapego rançoso do que sei foi, das futilidades e miudezas da vida, ofertando espaço ao galgar de degraus que estão por vir, os novos sorrisos e lágrimas, as tardes de pé pro alto e preguiça nos lençóis, a incerteza por conta de um turbilhão de sentimentos, o começo, o recomeço onde os pés ainda não saíram do chão e os projetos não saíram dos papéis, o recomeço entre a lentidão dos corpos e o pesar dos olhares, o 2009 de retornos e a incerteza de permanência. Permaneço, constante, com as unhas vermelhas de volta em mãos inquietas, da simplicidade permeando cada dia, o gosto pela falta de controle entre as pausas pro cigarro sem perder o pôr-do-sol e recortar em fotogramas, melodias, fotografias e pedaços de papel um tanto de cheiros, sorrisos, olhares e poeira cósmica.

e começa 2009.

Espero o entusiasmo, o tesão, as saudades, a inspiração que me escorre a nuca como os suores normais ao peso de nossos corpos juntos ao calor do verão. Tenho sido feita em saudades, esperas e sorrisos, até aqueles das manhãs mal humoradas, da cara emburrada, dos olhos com lágrimas e das conversas até o dia nascer. Recortes de momentos, palpitações e saudades de quem já voou há um tempo e de quem irá voar em menos de 2 horas.

Das poucas palavras aprendidas nos últimos dias, fica a mais importante: tu me manques, mon petit ami.

Só a embalagem?

Eu gosto de música alta, shows, festas, mas gosto também da cervejinha no boteco com os amigos, dos programinhas pela manhã e de ficar cronicando com a preguiça e às vezes com o tédio. Como em muitos posts ao decorrer do ano venho dizendo sobre a busca pela simplicidade, em me encontrar na simplicidade dos dias, sentir o cheiros nostálgico do passado, dos encontros e das pessoas, sejam elas as de muito tempo ou as que surgiram, o fato é que cada vez que passa tenho a sensação de que existem cada vez mais um bom bocado de gente chata e que pouco me divertem. Não suporto aquela gente insuportável, tanto homens quanto mulheres, vinha esbarrando por ai entre tantos fulanos e fulanas com um design bem montado (ou nem tanto) mas com uma propaganda bem enganosa, e como futura publicitária, sei que o design é mais que importante porém a campanha não se sustenta com qualquer planejamento, rs. Em geral desfilam por aí tão iguais, tão simetricos e uma cabeça um tanto quanto vazia. Os homens perdem-se ficando ereto a uma bunda ou seio perfeitos, as mulheres se jogam em um tanquinho ou enfim, vai saber! Obviamente há uma generalização nessa história toda, nem toda beleza e estúpida. Talvez 99%, rs. Mas em algum lugar vai haver aquele homem ou mulher lindos, bons de cama (que não se preocupam em mostrar os músculos ou ter peito mais em pé, que deixa o suor rolar sem se importar com a chapinha ou maquiagem) que te deixa excitada ou de pau duro pelo fato de se ter um cérebro e pra mim tá faltando pouco para dias de conversas longas, tesão, amigos e risada.

“Quando o avião decolou…”

O lindo móbile de origami colore a sala iluminada pelo abajur, o mesmo cinzeiro cheio de restos de cigarros bem tragados com seu batom, livros, cds e alguns dvds novos compõe o espaço em uma saudade sem fim e a inunda em um cheiro nostálgico tão particular quanto o do asfalto quente molhado. Restou apenas o silêncio e a falta de pólen da flor de plástico da mesa.
Em si, apenas ela sabe, podia sentir o antigo perfume pelos cômodos da casa, a ausência em tomar banho, o encaixe torto e perfeito da cama de solteiro e as conversas horas a fio sobre os ponteiros parados do relógio da sala – ela ainda não havia mudado de endereço e tão pouco tinha relógio em sua sala. Uma antítese em sentimentos: a espera pelo sorriso grandioso em lábios que recortaria em fotogramas e a certeza de que tempo excasso que correu entre seus corpos fora vital em um conforto grandioso que lhe garantia paz na distância de exatos 3 meses e 2 dias, mas que a salvaguarda daquelas mãos por suas costas parecia distante dia após dia, porém permanecia em elo findado entre os lençóis emaranhados de suas pernas trêmulas, os espaços de saudade, os choros escondidos e outros tantos não desabafados. O excesso de expectativas e muitas vezes a falta delas, ainda não sabia como levar o coração mesmo que em pedaços de poeira cósmica. A fumaça inundava o ambiente, hostil agora, e nessa ausência do encaixe e dos cabelos desgrenhados das tardes de domingo e conseguiu apenas dar boa noite, via skype, deixando de dizer o mais importante, o complemento do título e que ficou apenas no rodapé do caderno: “…levou contigo meu coração, meus sonos fartos no sofá da sala, seu cheiro permanece forte entre meus lençóis e meu coração dorme o tempo inteiro em seus braços.”

“O amor é sexualmente transmissível”

Mesmo após alguns meses continua a ser estranho a sensação de despedir-se sem abraços apertados, beijos e cheiros que nos envolviam recorrentemente.  Chega a ser áspero e doloroso não poder tocar-lhe as mãos, os lábios ou senti-lo num impulso constante. Espasmos frios percorrem os lençóis que anteriormente acordavam em lentidão de tesões normais, que inundavam nossos espaços em fagulhas de fumaças que transcorriam entre nossos corpos que dispíamos a cada entrega como se fosse a primeira vez, mesmo conhecendo cada detalhe, as pintas e os sinais marcados. “A grande desgraça é que as lembranças não bastam para confortar os amantes. Nunca se aplacam”, é bem no início do livro e já me sinto inerte na certeza que realmente elas apenas assolam meu coração nessa manhã de calor e percebo que falo dessa ausência cá em meio a meus braços e esse espaço vago em mim que cabiam anteriormente,  na medida certa, suas mãos.

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Sobre as doses

Fotogramas, recortes, poemas, palpites, percepções, detalhes minuciosos, cigarros e papos de boteco nem sempre tão diários ou homeopáticos.

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