em um só

e de onde o escuro permanecia, os cheiros embalaram a sala cheia de fumaça, do nosso cigarro. a alma embalada na lentidão do jogo de pernas que eu fazia entre suas coxas e o apoio de suas mãos nas minhas costas.

o espaço todo em um único suspiro, um pulsar, um gozo, um espasmo em um entrelaçar que nos torna cúmplices, únicos no  mesmo canto do sofá e na nostalgia de todas as noites sem dormir em um outro apê de botafogo.

sábado

e o canto espalhou-se, perdeu sentido e não procuro razão.
o que há em mim é dividido, mas sem paixão.

.

Hoje o que há em mim morreu. Escorreu como a última gota que suportei chorar, sem mais delongas ou dramas. Não há nada do passado e sem previsão de futuro.

teresópolis

Tento falar, não sai. A necessidade de cuspir palavras tortas, vomitá-las, essa necessidade dizer mesmo na falta de palavras. Ainda não sei administrar toda uma situação em silêncio e sem ações, fica difícil assim explicar se é uma ausência de sentimentos ou se apenas estou a transbordá-los.

Falta certeza do muito e do nada que vejo através dos olhos seus e sinto um turbilhão de carinhos, espaços e apertos entres os lençóis. A cama aberta entre o espaço dos seus braços em minhas costas e a ausência da alma quente e dos olhares cúmplices.

Misturo as saudades anteriores com o cheiro nostálgico ainda presente nas minhas segundas-feiras de manhã que andam me fazendo falta. Incerteza de um encaixe perfeito ou se apenas mais uma…passagem. Aquela história dos meus deja-vus macabros que acabo por carregar muito das pessoas que aprendo a amar e admirar e fico com a estranha e amarga sensação de não deixar nenhuma parte de mim.

Uma combinação em sonhos e planos em uma divergência de pensamentos e mais uma vez ações.

O desejo do corpo intenso em suores, espasmos e cheiros que muitas vezes desgasta-me o coração e fito-me ao que vejo através dos seus olhos.

no próximo ponto

Sentia o perfume a espalhar por entre aqueles cabelos molhados e da nuca, à mostra, escorria leve gota de suor tão normal a esses verões tropicais. Pés inqueitos balançavam, compulsivamente, assim como alinhava os cachos desgrenhados pelo vento e conseguia nessa desordem emaranhada refletir-se em mim um sorriso que entregava entre olhos apertados ao livro que lia no balançar do ônibus. O perfume espalhava com todo aquele vento e eu podia da fileira de trás sentir seu gosto, o ardor de sua pele entre o vestido de alça e imaginá-la a falar e falar. Desceu no próximo ponto, trazendo seu perfume e pude vê-la andar entre fumaças e perder-me no barulho intenso do trânsito ao imaginá-la com as pernas descobertas por entre os lençóis do meu apartamento, mesmo que em uma noite. Uma noite.

manhãs

as dores chegam, os olhos enchem-se de lágrimas

tantas, sem espaços.

 

sorrio,

nos silêncios dos abraços, em manhãs de chuva.

 

percorro, entre os lençóis

todo cheiro de nossos corpos.

 

danço por entre espaços teus

até outra manhã.

(L)

 

(L)

pedaço meu ao lado teu
em recortes diversos.

no surprises

não tenho uma e me faltam várias.

Tal qual extratos de banco

É um fato, houve mudanças. Algumas tantas que não tinha tomado consciência, que não queria ver que existiam, algumas que não há porquê procurar. Mudança de ares, vizinhança nova e talvez onde me sinta cada dia mais em casa. Pessoas que sumiram da minha vida, tais quais os extratos de banco, essas que não deixaram nada, que não se importaram em deixar. Outras se perderam por aí, entre tantas outras pessoas. E claro, outras tantas surgiram, cada qual com sua intensidade e brilho e tornando-se cada dia mais presente, oferecendo mais sorrisos tal qual os reais, os de sempre não partem jamais, com distâncias físicas, excesso de trabalho permanecem e esses levam de nós tanto quanto nos deixam. Sinto que 1 ano se passou, hoje percebo que coisas que não tinham muita importância me caem por terra, e novamente vem aquele cheiro nostálgico que nos envolve sorrisos entre lágrimas. Muito mudou aqui dentro, muito se foi e muito trabalhei duro a conquistar e vendo o mundo de forma mais transparente e sem “ranços” percebi que aí fora também houve mudanças e já não me importa se eu fiz parte disso, acredito que sim e esse agora é só mais um motivo para rir com os olhos. Deixar-me revelar, aos poucos, entre meus tragos, o desapego rançoso do que sei foi, das futilidades e miudezas da vida, ofertando espaço ao galgar de degraus que estão por vir, os novos sorrisos e lágrimas, as tardes de pé pro alto e preguiça nos lençóis, a incerteza por conta de um turbilhão de sentimentos, o começo, o recomeço onde os pés ainda não saíram do chão e os projetos não saíram dos papéis, o recomeço entre a lentidão dos corpos e o pesar dos olhares, o 2009 de retornos e a incerteza de permanência. Permaneço, constante, com as unhas vermelhas de volta em mãos inquietas, da simplicidade permeando cada dia, o gosto pela falta de controle entre as pausas pro cigarro sem perder o pôr-do-sol e recortar em fotogramas, melodias, fotografias e pedaços de papel um tanto de cheiros, sorrisos, olhares e poeira cósmica.

e começa 2009.

Espero o entusiasmo, o tesão, as saudades, a inspiração que me escorre a nuca como os suores normais ao peso de nossos corpos juntos ao calor do verão. Tenho sido feita em saudades, esperas e sorrisos, até aqueles das manhãs mal humoradas, da cara emburrada, dos olhos com lágrimas e das conversas até o dia nascer. Recortes de momentos, palpitações e saudades de quem já voou há um tempo e de quem irá voar em menos de 2 horas.

Das poucas palavras aprendidas nos últimos dias, fica a mais importante: tu me manques, mon petit ami.

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Sobre as doses

Fotogramas, recortes, poemas, palpites, percepções, detalhes minuciosos, cigarros e papos de boteco nem sempre tão diários ou homeopáticos.

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