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em um só

20 dez

e de onde o escuro permanecia, os cheiros embalaram a sala cheia de fumaça, do nosso cigarro. a alma embalada na lentidão do jogo de pernas que eu fazia entre suas coxas e o apoio de suas mãos nas minhas costas.

o espaço todo em um único suspiro, um pulsar, um gozo, um espasmo em um entrelaçar que nos torna cúmplices, únicos no  mesmo canto do sofá e na nostalgia de todas as noites sem dormir em um outro apê de botafogo.

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Tal qual extratos de banco

17 mar

É um fato, houve mudanças. Algumas tantas que não tinha tomado consciência, que não queria ver que existiam, algumas que não há porquê procurar. Mudança de ares, vizinhança nova e talvez onde me sinta cada dia mais em casa. Pessoas que sumiram da minha vida, tais quais os extratos de banco, essas que não deixaram nada, que não se importaram em deixar. Outras se perderam por aí, entre tantas outras pessoas. E claro, outras tantas surgiram, cada qual com sua intensidade e brilho e tornando-se cada dia mais presente, oferecendo mais sorrisos tal qual os reais, os de sempre não partem jamais, com distâncias físicas, excesso de trabalho permanecem e esses levam de nós tanto quanto nos deixam. Sinto que 1 ano se passou, hoje percebo que coisas que não tinham muita importância me caem por terra, e novamente vem aquele cheiro nostálgico que nos envolve sorrisos entre lágrimas. Muito mudou aqui dentro, muito se foi e muito trabalhei duro a conquistar e vendo o mundo de forma mais transparente e sem “ranços” percebi que aí fora também houve mudanças e já não me importa se eu fiz parte disso, acredito que sim e esse agora é só mais um motivo para rir com os olhos. Deixar-me revelar, aos poucos, entre meus tragos, o desapego rançoso do que sei foi, das futilidades e miudezas da vida, ofertando espaço ao galgar de degraus que estão por vir, os novos sorrisos e lágrimas, as tardes de pé pro alto e preguiça nos lençóis, a incerteza por conta de um turbilhão de sentimentos, o começo, o recomeço onde os pés ainda não saíram do chão e os projetos não saíram dos papéis, o recomeço entre a lentidão dos corpos e o pesar dos olhares, o 2009 de retornos e a incerteza de permanência. Permaneço, constante, com as unhas vermelhas de volta em mãos inquietas, da simplicidade permeando cada dia, o gosto pela falta de controle entre as pausas pro cigarro sem perder o pôr-do-sol e recortar em fotogramas, melodias, fotografias e pedaços de papel um tanto de cheiros, sorrisos, olhares e poeira cósmica.

Feita em rugas

6 out

Ainda na cama, mais um cigarro e ela levantou-se, apoiou em se peito e beijou sua boca, como se provesse do passado de 1 minuto atrás e como gesto corriqueiro que deseja ter em uma vida toda pela frente. Pensou novamente, por 10 minutos que não deveria trabalhar e se arrependeu, ao levantar, vestindo apenas aquela camisa velha com rasgo na gola seguiu ao banheiro e com cabelos presos olhava as rugas, em cada uma podia ver cicatrizes, alegrias e arrepedimentos a cerca do passado e pensava em quais outras rugas poderiam surgir. Queria brincar mais uma vez como no jardim de infância, correr com cachorros e quem sabe ter filhos. Não, ela não desejava tê-los, mas sonhava todas as noites com aquele cheiro incassável de um bebê pela casa. Sentiu a alma aquecida em um abraço e um beijo bem perto do buraco da gola da blusa, mostrando-a o quanto as rugas lhe caiam bem nessa idade e que sim, ele desejava ter filhos e cachorros pela varanda, mesmo sem terem dito absolutamente nada e então teve a certeza de que suas almas estavam abertas, sem vontades de outras vidas e sorriu em plenitude, desejando ainda mais.

O espaço de um cigarro, pós orgasmo

17 jul

Meu conto e canto ao acaso. O maço de cigarro acaba, abro outro, sem pestanejar. A cabeça roda, ronda, furta pensamentos do âmago e deixo-me entregar. O iTunes toca algumas tantas canções que nos embalaram e tantas outras canções já escutadas, o quarto permanece em sossego, os lençóis estáticos e simetricamente desmanchados, as janelas agora abertas pra respirar.
Sinto saudades de um tanto da vida, de um tanto passado e de um tanto do futuro, pois sei que será intenso em mergulhos. Sem pensar cabeça, fique por um momento somente a armazenar meus cachos que em breve serão cortados, não pense agora, viva, suceda o momento num instante, no ímpeto do orgasmo, meu corpo pede mais…