sábado

20 nov

e o canto espalhou-se, perdeu sentido e não procuro razão.
o que há em mim é dividido, mas sem paixão.

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21 jul

Hoje o que há em mim morreu. Escorreu como a última gota que suportei chorar, sem mais delongas ou dramas. Não há nada do passado e sem previsão de futuro.

teresópolis

16 maio

Tento falar, não sai. A necessidade de cuspir palavras tortas, vomitá-las, essa necessidade dizer mesmo na falta de palavras. Ainda não sei administrar toda uma situação em silêncio e sem ações, fica difícil assim explicar se é uma ausência de sentimentos ou se apenas estou a transbordá-los.

Falta certeza do muito e do nada que vejo através dos olhos seus e sinto um turbilhão de carinhos, espaços e apertos entres os lençóis. A cama aberta entre o espaço dos seus braços em minhas costas e a ausência da alma quente e dos olhares cúmplices.

Misturo as saudades anteriores com o cheiro nostálgico ainda presente nas minhas segundas-feiras de manhã que andam me fazendo falta. Incerteza de um encaixe perfeito ou se apenas mais uma…passagem. Aquela história dos meus deja-vus macabros que acabo por carregar muito das pessoas que aprendo a amar e admirar e fico com a estranha e amarga sensação de não deixar nenhuma parte de mim.

Uma combinação em sonhos e planos em uma divergência de pensamentos e mais uma vez ações.

O desejo do corpo intenso em suores, espasmos e cheiros que muitas vezes desgasta-me o coração e fito-me ao que vejo através dos seus olhos.

no próximo ponto

23 abr

Sentia o perfume a espalhar por entre aqueles cabelos molhados e da nuca, à mostra, escorria leve gota de suor tão normal a esses verões tropicais. Pés inqueitos balançavam, compulsivamente, assim como alinhava os cachos desgrenhados pelo vento e conseguia nessa desordem emaranhada refletir-se em mim um sorriso que entregava entre olhos apertados ao livro que lia no balançar do ônibus. O perfume espalhava com todo aquele vento e eu podia da fileira de trás sentir seu gosto, o ardor de sua pele entre o vestido de alça e imaginá-la a falar e falar. Desceu no próximo ponto, trazendo seu perfume e pude vê-la andar entre fumaças e perder-me no barulho intenso do trânsito ao imaginá-la com as pernas descobertas por entre os lençóis do meu apartamento, mesmo que em uma noite. Uma noite.

manhãs

15 abr

as dores chegam, os olhos enchem-se de lágrimas

tantas, sem espaços.

 

sorrio,

nos silêncios dos abraços, em manhãs de chuva.

 

percorro, entre os lençóis

todo cheiro de nossos corpos.

 

danço por entre espaços teus

até outra manhã.

(L)

2 abr

 

(L)

pedaço meu ao lado teu
em recortes diversos.

no surprises

24 mar

não tenho uma e me faltam várias.