no silêncio

29 mar

Cada cheiro de mato, de carro, de podre e de perfume, cada sensação de vento bater na espinha, frio ou quente, cada música do Bitte Orca pensava nela.

Não podia passar em branco, as saudades eram imensas, o espaço vago no sofá que ela nunca deitou, o cheiro do cabelo molhado no travesseiro que só ele sentia. Nunca estiveram ali, juntos, nunca estiveram de fato juntos.

Queriam um ao outro, riam entre um trago e outro daquele cigarro e chapados entre os olhos espremidos e os sorrisos largos, não sabiam onde o espaço acabava entre as conversas corriqueiras e a forma com que ele coçava a barba e ela ajeitava os cabelos compridos.

Miravam-se de perto, em silêncio, e não sabiam onde eles começavam.

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