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É tanto espaço em saudades

17 set

Sinto-me cercada de teus dedos mesmo que de longe mas o que há de mim ou de nós no novo? O que talvez te faça lembrar  do que vivemos e construimos dentro de cada um e principalmente dentro do outro, talvez nada possa aguçar sua memória, pois aqui tudo tem um cheiro nostálgico que me traz ainda mais saudades.
Essa ausência de presença clara e constante nos meus dias, a falta de jeito na hora de dormir, o espaço que sobra na cama de solteira gela a minha alma. A constante distância tem me deixado em preto e branco, sem sorrisos fartos e uma falta de inquietação a essas mãos que te afagavam em meus seios, até a fumaça dos meus cigarros começa a perder perder o sentido ao deixar de invadir o espaço em tesões tão normais.
Continua a chover pelas janelas e não há você debaixo do edredom em um enlace de pés e pernas que me deixavam em paz. Uma imensidão em nostalgias e cheiros, carinhos, abraços que mudam o dia e me perco as lembranças do raio de sorriso que me faz mais uma vez uma falta imensa.

Sol e nostalgias…

14 jun

Tem um sol lindo lá fora, a janela fica aberta a sensações novas e a nostalgias passadas desfrutadas em dedos, cabelos e suores.
Experiências, lembranças de um tempo que não volta mais e é melhor assim, vejo em cada traço meu, em cada anseio, palavra de amigos o quanto fui e fomos importantes uns aos outros, sinto saudades de pessoas, cheiros, conversas e risadas, de pirações adolescentes, músicas, roupas e mais uma vez pessoas.
Parte de mim são delas e acredito ser parte de um pouco disso, sorvo comigo alegrias, tristezas e carinhos. Sinto saudades imensas em risadas no Café Avenida, no bar do Salgadinho a procura de uma dose de Catuaba, da rua do skate, da primeira desilusão amorosa, das companhias passadas, das danças no ballet, jazz e o excitante can-can, do exaustivo e prazeroso ensaio, de dores, roxos, pés, sapatilhas e grampos, de uma família que se fez e que laços são carregados a cada palavra com sotaque dita, um cigarro na rua do ex-Jazz-Mama Lôca e atual…Não sei, faz tempo.
Queria minha janela a céu estrelado e espreguiçadeiras gostosas, de pontos e cicatrizes por ser um tanto quanto sem jeito, das primeiras bebedeiras, carnavais, chuva, capas de chuva amarelas. Inqueitação.
Sei o quanto me faço ausente em corpo, mas há certeza de um espírito presente sempre. Sinto de longe, angustias e isso muitas vezes rasga meu coração desse lado da tela. Nem sempre existe tempo a encontros, mas nem por isso há o esquecimento, a indiferença. Poucos compreendem esse afeto distante e presente, acredito ser bom assim, apenas os essencias permanecem, mesmo invisível aos nossos olhos.