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Metáforas

20 fev

Metaforicamente, pessoas são como as estações do ano. Por mais realizações que tenhamos conseguido, não devemos viver somente de verões. Acredito que essa seja uma das inúmeras formas de amadurecimento.
O verão é aquela coisa amável, calorosa, regado a cores cítricas e brilhantes. Invariáveis descobertas e amizades. Aquela sensação eternamente boa, é quando as críticas aos demais e a si mesmo tendem a ser menores, há uma maior compreensão e aceitação fácil. É para ser aproveitado até o último pôr-do-sol.
No outono as cores intensas tendem a se mesclar ao cotidiano, deixam de ser tão cítricas a nos deixar prover misturas entre dias com muitos ao redor e outros com a idéia de deixarmos aqueles próximos dos galhos partirem e restará somente a eles permanecerem próximos a raiz e curtir com calma cada lembrança do verão, o que de bom e de ruim doamos e recebemos, além de gozar de dias simples.
O inverno é quando a euforia do verão passou, o outono serviu como introdução a uma temporada de ‘limpar gavetas’. Com cores menos vivas, porém de maior personalidade, exige naturalmente uma maior autocrítica, uma seriedade a quem somos realmente. Vasculhar baús e caixas, deixando a casa em ordem, mesmo que assim seja mais triste. Conforme na estação, é a época que vivemos mais frios com si próprio e tendemos a um calor maior aqueles que sobrevivem a verões. As janelas ficam menos abertas, passando pouca faixa de luz e as portas recebem somente os que perduraram. É a hora de limpar a neve, sentir ao fundo mesmo que as dores. Aquela DR, mas geralmente entre nossos egos, sentimentos e até mesmo razões. Enfim, após tempos nublados e encobertos por branca e fria neblina, com a companhia de poucos, mas os que serão sempre companheiros de inverno. Saímos amadurecidos, calejados, geralmente com suas devidas cicatrizes (detesto isso, é clichê, mas não consigo outra analogia…) com boas histórias do inverno que nem sempre é rigoroso, mas sempre haverá importância.
A partir desse ponto podemos abrir as janelas e começar a ver florescer em nós mesmos o que cultivamos de aprendizado interno e mergulhar novamente no que deixamos de fazer ou ainda termos a chance de consertar algo e mergulhar ainda mais intenso, e então sabermos quanto tempo e quando precisaremos viver outras estações.

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