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e começa 2009.

23 jan

Espero o entusiasmo, o tesão, as saudades, a inspiração que me escorre a nuca como os suores normais ao peso de nossos corpos juntos ao calor do verão. Tenho sido feita em saudades, esperas e sorrisos, até aqueles das manhãs mal humoradas, da cara emburrada, dos olhos com lágrimas e das conversas até o dia nascer. Recortes de momentos, palpitações e saudades de quem já voou há um tempo e de quem irá voar em menos de 2 horas.

Das poucas palavras aprendidas nos últimos dias, fica a mais importante: tu me manques, mon petit ami.

“Quando o avião decolou…”

12 dez

O lindo móbile de origami colore a sala iluminada pelo abajur, o mesmo cinzeiro cheio de restos de cigarros bem tragados com seu batom, livros, cds e alguns dvds novos compõe o espaço em uma saudade sem fim e a inunda em um cheiro nostálgico tão particular quanto o do asfalto quente molhado. Restou apenas o silêncio e a falta de pólen da flor de plástico da mesa.
Em si, apenas ela sabe, podia sentir o antigo perfume pelos cômodos da casa, a ausência em tomar banho, o encaixe torto e perfeito da cama de solteiro e as conversas horas a fio sobre os ponteiros parados do relógio da sala – ela ainda não havia mudado de endereço e tão pouco tinha relógio em sua sala. Uma antítese em sentimentos: a espera pelo sorriso grandioso em lábios que recortaria em fotogramas e a certeza de que tempo excasso que correu entre seus corpos fora vital em um conforto grandioso que lhe garantia paz na distância de exatos 3 meses e 2 dias, mas que a salvaguarda daquelas mãos por suas costas parecia distante dia após dia, porém permanecia em elo findado entre os lençóis emaranhados de suas pernas trêmulas, os espaços de saudade, os choros escondidos e outros tantos não desabafados. O excesso de expectativas e muitas vezes a falta delas, ainda não sabia como levar o coração mesmo que em pedaços de poeira cósmica. A fumaça inundava o ambiente, hostil agora, e nessa ausência do encaixe e dos cabelos desgrenhados das tardes de domingo e conseguiu apenas dar boa noite, via skype, deixando de dizer o mais importante, o complemento do título e que ficou apenas no rodapé do caderno: “…levou contigo meu coração, meus sonos fartos no sofá da sala, seu cheiro permanece forte entre meus lençóis e meu coração dorme o tempo inteiro em seus braços.”

“O amor é sexualmente transmissível”

9 dez

Mesmo após alguns meses continua a ser estranho a sensação de despedir-se sem abraços apertados, beijos e cheiros que nos envolviam recorrentemente.  Chega a ser áspero e doloroso não poder tocar-lhe as mãos, os lábios ou senti-lo num impulso constante. Espasmos frios percorrem os lençóis que anteriormente acordavam em lentidão de tesões normais, que inundavam nossos espaços em fagulhas de fumaças que transcorriam entre nossos corpos que dispíamos a cada entrega como se fosse a primeira vez, mesmo conhecendo cada detalhe, as pintas e os sinais marcados. “A grande desgraça é que as lembranças não bastam para confortar os amantes. Nunca se aplacam”, é bem no início do livro e já me sinto inerte na certeza que realmente elas apenas assolam meu coração nessa manhã de calor e percebo que falo dessa ausência cá em meio a meus braços e esse espaço vago em mim que cabiam anteriormente,  na medida certa, suas mãos.

É assim que começa?

14 out

Eu gosto de mudanças de ares, do cheiro de um apartamento ou bairro novo, de se reconhecer na vizinhança ou não, de fazer as malas como naquela viagem imperdível que dá vontade de deixar a mala composta por quase 1 mês pra não ter fim, mas definitivamente encontrar um apê com o mínimo de dignidade na Z. Sul do Rio está bastante complicado ultimamente e não falo de Ipanema e Leblon, gosta do bucólico que há em Botafogo e suas dezenas de botecos, da ruas estreitas em Laranjeiras e prédios mais simples pelo Catete e algumas árvores do Flamengo. Não sei se a maior parte dos imóveis está com preço salgado devido ao fim do ano que se aproxima, logo depois carnaval…alguém sabe me dizer uma época boa? Rs
Gosto do prazer de coisas simples e algumas não tão simples, mas essa vida de crescer rapidamente não me assustava tanto quanto antes, sei da necessidade em preocupar-me mais com isso e deixar alguns prazeres supérfluos de lado, mas é nessas horas que avisto a conta bancária e uma nova ruga com certeza surge na minha testa, ascendo mais um cigarro e mascaro as imperfeições desse cotidiano um tanto quanto chato que me enfiei, faltava tesão no trabalho (estágio) e pra pagar as contas me enfiei nessa vida de loja, quero definitivamente um tanto da minha vida pobre e feliz de estagiária, com surtos criativos, com vontade, estudos e expectativas, não que eu esteja em inércia, dou-me por completa a dedicar-me em leituras e estudos, mas falta aquela coisa de acordar cedo exaustivamente feliz, como ter dormido menos de 3 horas no aniversário e ir trampar na Barra da Tijuca com pessoas que me faziam ganhar o dia.
As nostalgias de segunda-feira tem cheiro bom, mas o passado fica guardado na caixinha com carinho, uma saudade de um tanto de vida percorrido euforicamente até a última ponta, nas lágrimas da despedida, nas saudades que permanecem, nas pessoas que pude conhecer e levar um tanto de mim e ganhar um tanto delas, como abraços a transpôr as distâncias geográficas e cervejas no boteco que me trazem gargalhadas sinceras e brilho nos olhos por sentir-me novamente viva, mesmo que parada nesses dias de ócio e procura pela vida grande e um tanto responsável de quem tem contas a vencer e o salário quase todo perdido nas transações on-line.

Sentidos

2 out

Chegou a fila do cinema e logo pôde sentir um frio sopro em sua nuca descoberta pelos curtos cachos que recaiam sobre seus olhos e teve a certeza de que seria ele que a pegaria pela cintura em um longo espasmo de tesão, e foi.
Sorriu grandiosamente em lábios fartos como a quem agradece aquela presença à ventania que corria pelo bairro de Botafogo.
Sossegaram por um instante, curto, no espaço de um beijo, compraram pipocas e puderam sentar, ao fundo, em mãos entrelaçadas nas fartas poltronas. À todo instante podia sentir-se inflar por cheiros tão naturais a ela e que já sentia saudades e sabia que as continuaria a sentir.
Ao subir dos créditos havia novamente a certeza de que seria ele que a embalaria em doces melodias naquela noite, sem importar-se com o gênero, a música seria contante em sussurros e gemidos.
Pôde sentir a pressão sobre a calça jeans e o deslizar de alças de sua roupa íntima e entregar-se sem espaços a quem a lançara em seu colo, segurando-a firmemente pelos quadris e retornando ao frio sopro sobre sua nuca.

É tanto espaço…

25 set

Dia cinza, nimbo
Vento frio a percorrer meus cachos
E não há luz sem teu sorriso

Minhas mãos calejadas
Procuram seus densos cabelos negros
Já não posso afagá-lo em meus seios

Imensidão
Tanto mar, tão vazio, tão espaço
Escuro, triste, vazio
Me perco em saudades.

É tanto espaço em saudades

17 set

Sinto-me cercada de teus dedos mesmo que de longe mas o que há de mim ou de nós no novo? O que talvez te faça lembrar  do que vivemos e construimos dentro de cada um e principalmente dentro do outro, talvez nada possa aguçar sua memória, pois aqui tudo tem um cheiro nostálgico que me traz ainda mais saudades.
Essa ausência de presença clara e constante nos meus dias, a falta de jeito na hora de dormir, o espaço que sobra na cama de solteira gela a minha alma. A constante distância tem me deixado em preto e branco, sem sorrisos fartos e uma falta de inquietação a essas mãos que te afagavam em meus seios, até a fumaça dos meus cigarros começa a perder perder o sentido ao deixar de invadir o espaço em tesões tão normais.
Continua a chover pelas janelas e não há você debaixo do edredom em um enlace de pés e pernas que me deixavam em paz. Uma imensidão em nostalgias e cheiros, carinhos, abraços que mudam o dia e me perco as lembranças do raio de sorriso que me faz mais uma vez uma falta imensa.