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“O amor é sexualmente transmissível”

9 dez

Mesmo após alguns meses continua a ser estranho a sensação de despedir-se sem abraços apertados, beijos e cheiros que nos envolviam recorrentemente.  Chega a ser áspero e doloroso não poder tocar-lhe as mãos, os lábios ou senti-lo num impulso constante. Espasmos frios percorrem os lençóis que anteriormente acordavam em lentidão de tesões normais, que inundavam nossos espaços em fagulhas de fumaças que transcorriam entre nossos corpos que dispíamos a cada entrega como se fosse a primeira vez, mesmo conhecendo cada detalhe, as pintas e os sinais marcados. “A grande desgraça é que as lembranças não bastam para confortar os amantes. Nunca se aplacam”, é bem no início do livro e já me sinto inerte na certeza que realmente elas apenas assolam meu coração nessa manhã de calor e percebo que falo dessa ausência cá em meio a meus braços e esse espaço vago em mim que cabiam anteriormente,  na medida certa, suas mãos.

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