Arquivo | dezembro, 2008

Só a embalagem?

31 dez

Eu gosto de música alta, shows, festas, mas gosto também da cervejinha no boteco com os amigos, dos programinhas pela manhã e de ficar cronicando com a preguiça e às vezes com o tédio. Como em muitos posts ao decorrer do ano venho dizendo sobre a busca pela simplicidade, em me encontrar na simplicidade dos dias, sentir o cheiros nostálgico do passado, dos encontros e das pessoas, sejam elas as de muito tempo ou as que surgiram, o fato é que cada vez que passa tenho a sensação de que existem cada vez mais um bom bocado de gente chata e que pouco me divertem. Não suporto aquela gente insuportável, tanto homens quanto mulheres, vinha esbarrando por ai entre tantos fulanos e fulanas com um design bem montado (ou nem tanto) mas com uma propaganda bem enganosa, e como futura publicitária, sei que o design é mais que importante porém a campanha não se sustenta com qualquer planejamento, rs. Em geral desfilam por aí tão iguais, tão simetricos e uma cabeça um tanto quanto vazia. Os homens perdem-se ficando ereto a uma bunda ou seio perfeitos, as mulheres se jogam em um tanquinho ou enfim, vai saber! Obviamente há uma generalização nessa história toda, nem toda beleza e estúpida. Talvez 99%, rs. Mas em algum lugar vai haver aquele homem ou mulher lindos, bons de cama (que não se preocupam em mostrar os músculos ou ter peito mais em pé, que deixa o suor rolar sem se importar com a chapinha ou maquiagem) que te deixa excitada ou de pau duro pelo fato de se ter um cérebro e pra mim tá faltando pouco para dias de conversas longas, tesão, amigos e risada.

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“Quando o avião decolou…”

12 dez

O lindo móbile de origami colore a sala iluminada pelo abajur, o mesmo cinzeiro cheio de restos de cigarros bem tragados com seu batom, livros, cds e alguns dvds novos compõe o espaço em uma saudade sem fim e a inunda em um cheiro nostálgico tão particular quanto o do asfalto quente molhado. Restou apenas o silêncio e a falta de pólen da flor de plástico da mesa.
Em si, apenas ela sabe, podia sentir o antigo perfume pelos cômodos da casa, a ausência em tomar banho, o encaixe torto e perfeito da cama de solteiro e as conversas horas a fio sobre os ponteiros parados do relógio da sala – ela ainda não havia mudado de endereço e tão pouco tinha relógio em sua sala. Uma antítese em sentimentos: a espera pelo sorriso grandioso em lábios que recortaria em fotogramas e a certeza de que tempo excasso que correu entre seus corpos fora vital em um conforto grandioso que lhe garantia paz na distância de exatos 3 meses e 2 dias, mas que a salvaguarda daquelas mãos por suas costas parecia distante dia após dia, porém permanecia em elo findado entre os lençóis emaranhados de suas pernas trêmulas, os espaços de saudade, os choros escondidos e outros tantos não desabafados. O excesso de expectativas e muitas vezes a falta delas, ainda não sabia como levar o coração mesmo que em pedaços de poeira cósmica. A fumaça inundava o ambiente, hostil agora, e nessa ausência do encaixe e dos cabelos desgrenhados das tardes de domingo e conseguiu apenas dar boa noite, via skype, deixando de dizer o mais importante, o complemento do título e que ficou apenas no rodapé do caderno: “…levou contigo meu coração, meus sonos fartos no sofá da sala, seu cheiro permanece forte entre meus lençóis e meu coração dorme o tempo inteiro em seus braços.”

“O amor é sexualmente transmissível”

9 dez

Mesmo após alguns meses continua a ser estranho a sensação de despedir-se sem abraços apertados, beijos e cheiros que nos envolviam recorrentemente.  Chega a ser áspero e doloroso não poder tocar-lhe as mãos, os lábios ou senti-lo num impulso constante. Espasmos frios percorrem os lençóis que anteriormente acordavam em lentidão de tesões normais, que inundavam nossos espaços em fagulhas de fumaças que transcorriam entre nossos corpos que dispíamos a cada entrega como se fosse a primeira vez, mesmo conhecendo cada detalhe, as pintas e os sinais marcados. “A grande desgraça é que as lembranças não bastam para confortar os amantes. Nunca se aplacam”, é bem no início do livro e já me sinto inerte na certeza que realmente elas apenas assolam meu coração nessa manhã de calor e percebo que falo dessa ausência cá em meio a meus braços e esse espaço vago em mim que cabiam anteriormente,  na medida certa, suas mãos.

Mais uma vadia

3 dez

Estava sentada na mesa, rodeada talvez de possíveis amigos e um deles não a deixara de olhar com possíveis carinhos. Era bonita e tinha sorriso grandioso embaixo de um olhar inocente, bebia cerveja como uma adolescente que em breve estaria embriga, sorri pensando em alguma situação orgástica. Não sei se estava acompanhada ou se desejava estar, mas não conteria em me atrever penetrar naquelas coxas de pele branca e puxar-lhe os cabelos lisos, pois parecia querer isso enquanto me olhava de rabo de olho. O ambiente alastrava fumaça e ela veio em minha direção. Era só mais uma vadia, comi, gozei e não liguei no dia seguinte.