meu coração esfarelou
virou pó, esfarelou
como areia entre os dedos
levado ao vento
como poeira cósmica
meu coração esfarelou
virou pó, esfarelou
como areia entre os dedos
levado ao vento
como poeira cósmica
as dores chegam, os olhos enchem-se de lágrimas
tantas, sem espaços.
sorrio,
nos silêncios dos abraços, em manhãs de chuva.
percorro, entre os lençóis
todo cheiro de nossos corpos.
danço por entre espaços teus
até outra manhã.
Ingredientes:
1 kg de risadas
500 g de dramas e choros
400 g de ironias e deboches
800 g de perfeccionismo
900 g de detalhes simples e minuciosos
350 g de compulsão por magreza
5 kg de papos furados ou não
3 kg de filmes e fotografias
2 kg de música, sons e batuques
300 g de depressão
800 g de sono
600 g de coração
400 g de razão
1 litro de cachaça, vodka ou cerveja (ou similar)
1 litro de água mineral
Alguns maços de cigarro e fumaças
Ventanias, ócio, tesão, orgasmos e fanfarrices à gosto.
Modo de preparo:
Misture tudo, mas não precisa pôr na balança, tempere do seu jeito e leve ao congelador, por favor.
carregar, descarregar
o peso do mundo dói
tropeço, manco, engatinho
o coração esfarela
presente ausência, sobra de espaço
sem encaixe
silencio, grito, ensurdeço
pouso em inércia
no rubor da maçãs do rosto
sem seu orgasmo.
Hoje, amargura intensa
Corpo, mente e espírito
Repletos em lembranças e planos
Mãos suadas tão normais
Uma certa melancolia me excita
Olhos cansados
Em espasmos de felicidade
Alguns gritos calados
Em silêncios ensurdecedores
Dia claramente cinza
Alguma letargia
Me veste como luva
Choro preso em lábios sorridentes
Sinto a repulsa do meu corpo
Não perante o seu
Mas a próprio nome
A angústias tão naturais a esse coração
Que me abate devasta o peito
Tormentos, soluços e sussurros
Não tão cabíveis aos nossos encontros
Em excitações completas
E infindáveis descobertas, em sentimentos.
Uma pegada pela cintura
Firme, em teu colo
E beija-me a nuca, em um espasmo
As mesmas mãos que acariciam meu rosto
Tocam-me os seios e percorrem as costas
Sinto lábios
Meus e seus
Deslizar de corpos
Nus, suados e plenos
Carregado de um punhado de nós
No tormento emaranhado de pernas, mãos e sexos
Em nossos lábios…
Crio versos
A acalmar a alma
A transpôr meu corpo
Versos a chorar
Derramar lágrimas sorridentes
E fotografar-te em escrita
Um meio, uma fenda
Onde encaixo tuas costas fartas
Versos como a quem goza
Em orgasmos múltiplos
Entrelace de corpos
Esguios
Suados, sólidos
Há sinais, como a arte que fomenta nossas tortuosas vidas
Música
Olhares, visões
A cerca da queda
Corpos, caídos inquietantes
Estática, imóvel, física
Prazos, relógios e sustos
Ócio relevante criativo
Minha, meu, espaço próprio
Cabeça, garganta, pêlos
Pulsantes
Meu atual estado febril
Hoje não
Mais ainda existem
Canecas, fumaças, roupas e corpos espalhados
Eu não desperto
Pensamentos em fuga
Intimidade
Tempestuosamente gostosa
Sinais
Marcantes, instigantes, sexy
Alguns desaparecem em dias
E a gostosura está presente
Ao saber que voltarão…
Adormecer, conversar Acordar Cada sorriso Solto, gargalhado e contido
Palavras vomitadas Olhar meu, contido O copo de cerveja Multiplicidade orgástica Pro meu corpo, pro seu
Suave Cada toque Cheiros, suores e texturas Um maço de cigarros
Braços e abraços Momentos e seus prazos Breves, intensos O ponteiro corre Em veludo Pro meu corpo, aos demais...