Textos categorizados 'cotidiano'

manhãs

as dores chegam, os olhos enchem-se de lágrimas

tantas, sem espaços.

 

sorrio,

nos silêncios dos abraços, em manhãs de chuva.

 

percorro, entre os lençóis

todo cheiro de nossos corpos.

 

danço por entre espaços teus

até outra manhã.

no surprises

não tenho uma e me faltam várias.

Tal qual extratos de banco

É um fato, houve mudanças. Algumas tantas que não tinha tomado consciência, que não queria ver que existiam, algumas que não há porquê procurar. Mudança de ares, vizinhança nova e talvez onde me sinta cada dia mais em casa. Pessoas que sumiram da minha vida, tais quais os extratos de banco, essas que não deixaram nada, que não se importaram em deixar. Outras se perderam por aí, entre tantas outras pessoas. E claro, outras tantas surgiram, cada qual com sua intensidade e brilho e tornando-se cada dia mais presente, oferecendo mais sorrisos tal qual os reais, os de sempre não partem jamais, com distâncias físicas, excesso de trabalho permanecem e esses levam de nós tanto quanto nos deixam. Sinto que 1 ano se passou, hoje percebo que coisas que não tinham muita importância me caem por terra, e novamente vem aquele cheiro nostálgico que nos envolve sorrisos entre lágrimas. Muito mudou aqui dentro, muito se foi e muito trabalhei duro a conquistar e vendo o mundo de forma mais transparente e sem “ranços” percebi que aí fora também houve mudanças e já não me importa se eu fiz parte disso, acredito que sim e esse agora é só mais um motivo para rir com os olhos. Deixar-me revelar, aos poucos, entre meus tragos, o desapego rançoso do que sei foi, das futilidades e miudezas da vida, ofertando espaço ao galgar de degraus que estão por vir, os novos sorrisos e lágrimas, as tardes de pé pro alto e preguiça nos lençóis, a incerteza por conta de um turbilhão de sentimentos, o começo, o recomeço onde os pés ainda não saíram do chão e os projetos não saíram dos papéis, o recomeço entre a lentidão dos corpos e o pesar dos olhares, o 2009 de retornos e a incerteza de permanência. Permaneço, constante, com as unhas vermelhas de volta em mãos inquietas, da simplicidade permeando cada dia, o gosto pela falta de controle entre as pausas pro cigarro sem perder o pôr-do-sol e recortar em fotogramas, melodias, fotografias e pedaços de papel um tanto de cheiros, sorrisos, olhares e poeira cósmica.

Só a embalagem?

Eu gosto de música alta, shows, festas, mas gosto também da cervejinha no boteco com os amigos, dos programinhas pela manhã e de ficar cronicando com a preguiça e às vezes com o tédio. Como em muitos posts ao decorrer do ano venho dizendo sobre a busca pela simplicidade, em me encontrar na simplicidade dos dias, sentir o cheiros nostálgico do passado, dos encontros e das pessoas, sejam elas as de muito tempo ou as que surgiram, o fato é que cada vez que passa tenho a sensação de que existem cada vez mais um bom bocado de gente chata e que pouco me divertem. Não suporto aquela gente insuportável, tanto homens quanto mulheres, vinha esbarrando por ai entre tantos fulanos e fulanas com um design bem montado (ou nem tanto) mas com uma propaganda bem enganosa, e como futura publicitária, sei que o design é mais que importante porém a campanha não se sustenta com qualquer planejamento, rs. Em geral desfilam por aí tão iguais, tão simetricos e uma cabeça um tanto quanto vazia. Os homens perdem-se ficando ereto a uma bunda ou seio perfeitos, as mulheres se jogam em um tanquinho ou enfim, vai saber! Obviamente há uma generalização nessa história toda, nem toda beleza e estúpida. Talvez 99%, rs. Mas em algum lugar vai haver aquele homem ou mulher lindos, bons de cama (que não se preocupam em mostrar os músculos ou ter peito mais em pé, que deixa o suor rolar sem se importar com a chapinha ou maquiagem) que te deixa excitada ou de pau duro pelo fato de se ter um cérebro e pra mim tá faltando pouco para dias de conversas longas, tesão, amigos e risada.

O silêncio…

O silêncio, os lençóis em desordem e um quarto cheio de fumaças. Meu corpo gosta do repousar e das entregas, sentir seu corpo suado, quente, inérte em pós-orgasmos. Há a simplicidade em olhá-lo no canto da cama e deixar-me ser vista, sem pudores, sem fraquezas e em entregas completas nesse silêncio que transborda o quarto em tesão e que podemos nos tocar da mesma forma. Uma simplicidade almejada, o desejo do peso de seu corpo ao meu, constantemente, pois ao fechar os olhos é a você que eu vejo…

É assim que começa?

Eu gosto de mudanças de ares, do cheiro de um apartamento ou bairro novo, de se reconhecer na vizinhança ou não, de fazer as malas como naquela viagem imperdível que dá vontade de deixar a mala composta por quase 1 mês pra não ter fim, mas definitivamente encontrar um apê com o mínimo de dignidade na Z. Sul do Rio está bastante complicado ultimamente e não falo de Ipanema e Leblon, gosta do bucólico que há em Botafogo e suas dezenas de botecos, da ruas estreitas em Laranjeiras e prédios mais simples pelo Catete e algumas árvores do Flamengo. Não sei se a maior parte dos imóveis está com preço salgado devido ao fim do ano que se aproxima, logo depois carnaval…alguém sabe me dizer uma época boa? Rs
Gosto do prazer de coisas simples e algumas não tão simples, mas essa vida de crescer rapidamente não me assustava tanto quanto antes, sei da necessidade em preocupar-me mais com isso e deixar alguns prazeres supérfluos de lado, mas é nessas horas que avisto a conta bancária e uma nova ruga com certeza surge na minha testa, ascendo mais um cigarro e mascaro as imperfeições desse cotidiano um tanto quanto chato que me enfiei, faltava tesão no trabalho (estágio) e pra pagar as contas me enfiei nessa vida de loja, quero definitivamente um tanto da minha vida pobre e feliz de estagiária, com surtos criativos, com vontade, estudos e expectativas, não que eu esteja em inércia, dou-me por completa a dedicar-me em leituras e estudos, mas falta aquela coisa de acordar cedo exaustivamente feliz, como ter dormido menos de 3 horas no aniversário e ir trampar na Barra da Tijuca com pessoas que me faziam ganhar o dia.
As nostalgias de segunda-feira tem cheiro bom, mas o passado fica guardado na caixinha com carinho, uma saudade de um tanto de vida percorrido euforicamente até a última ponta, nas lágrimas da despedida, nas saudades que permanecem, nas pessoas que pude conhecer e levar um tanto de mim e ganhar um tanto delas, como abraços a transpôr as distâncias geográficas e cervejas no boteco que me trazem gargalhadas sinceras e brilho nos olhos por sentir-me novamente viva, mesmo que parada nesses dias de ócio e procura pela vida grande e um tanto responsável de quem tem contas a vencer e o salário quase todo perdido nas transações on-line.

Sentidos

Chegou a fila do cinema e logo pôde sentir um frio sopro em sua nuca descoberta pelos curtos cachos que recaiam sobre seus olhos e teve a certeza de que seria ele que a pegaria pela cintura em um longo espasmo de tesão, e foi.
Sorriu grandiosamente em lábios fartos como a quem agradece aquela presença à ventania que corria pelo bairro de Botafogo.
Sossegaram por um instante, curto, no espaço de um beijo, compraram pipocas e puderam sentar, ao fundo, em mãos entrelaçadas nas fartas poltronas. À todo instante podia sentir-se inflar por cheiros tão naturais a ela e que já sentia saudades e sabia que as continuaria a sentir.
Ao subir dos créditos havia novamente a certeza de que seria ele que a embalaria em doces melodias naquela noite, sem importar-se com o gênero, a música seria contante em sussurros e gemidos.
Pôde sentir a pressão sobre a calça jeans e o deslizar de alças de sua roupa íntima e entregar-se sem espaços a quem a lançara em seu colo, segurando-a firmemente pelos quadris e retornando ao frio sopro sobre sua nuca.

Aflitante querer

Posso senti-lo abrir a porta e inundar o som, o ambiente, o espaço meu, assim como a fumaça dos cigarros que fumo tão distraidamente. Em cadências nos embalamos entre pernas emaranhadas, um querer angustiado, as portas trancadas e os corpos unidos. Pedaço meu gravado em ti em fotogramas desse coração momentaneamente blasé, por segurança ou fraqueza, mas que cotidianamente mergulha tempestuosamente e permanece em ritmo lento, em nossas melodias.

Uma melancolia às vezes cai bem…

Hoje, amargura intensa
Corpo, mente e espírito
Repletos em lembranças e planos
Mãos suadas tão normais
Uma certa melancolia me excita

Olhos cansados
Em espasmos de felicidade
Alguns gritos calados
Em silêncios ensurdecedores

Dia claramente cinza
Alguma letargia
Me veste como luva
Choro preso em lábios sorridentes

Sinto a repulsa do meu corpo
Não perante o seu
Mas a próprio nome
A angústias tão naturais a esse coração
Que me abate devasta o peito

Tormentos, soluços e sussurros
Não tão cabíveis aos nossos encontros
Em excitações completas
E infindáveis descobertas, em sentimentos.

Pro fim de semana…

Relaxar, respiração ofegante, corpos nessa lentidão de lençóis com encaixe simétrico e carinho nos pés. Debaixo do edredon, encolhidos ou em frente ao ventilador de janelas abertas, bem esparramados.
Breve espaço, brisa leve carregada em vidas, olhos, sentimentos, corpos, orgasmos, amizade por assim dizer, impulsos pelo que é trilhado, diariamente.

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Sobre as doses

Fotogramas, recortes, poemas, palpites, percepções, detalhes minuciosos, cigarros e papos de boteco nem sempre tão diários ou homeopáticos.

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