Textos categorizados 'amor'

(L)

 

(L)

pedaço meu ao lado teu
em recortes diversos.

“Quando o avião decolou…”

O lindo móbile de origami colore a sala iluminada pelo abajur, o mesmo cinzeiro cheio de restos de cigarros bem tragados com seu batom, livros, cds e alguns dvds novos compõe o espaço em uma saudade sem fim e a inunda em um cheiro nostálgico tão particular quanto o do asfalto quente molhado. Restou apenas o silêncio e a falta de pólen da flor de plástico da mesa.
Em si, apenas ela sabe, podia sentir o antigo perfume pelos cômodos da casa, a ausência em tomar banho, o encaixe torto e perfeito da cama de solteiro e as conversas horas a fio sobre os ponteiros parados do relógio da sala – ela ainda não havia mudado de endereço e tão pouco tinha relógio em sua sala. Uma antítese em sentimentos: a espera pelo sorriso grandioso em lábios que recortaria em fotogramas e a certeza de que tempo excasso que correu entre seus corpos fora vital em um conforto grandioso que lhe garantia paz na distância de exatos 3 meses e 2 dias, mas que a salvaguarda daquelas mãos por suas costas parecia distante dia após dia, porém permanecia em elo findado entre os lençóis emaranhados de suas pernas trêmulas, os espaços de saudade, os choros escondidos e outros tantos não desabafados. O excesso de expectativas e muitas vezes a falta delas, ainda não sabia como levar o coração mesmo que em pedaços de poeira cósmica. A fumaça inundava o ambiente, hostil agora, e nessa ausência do encaixe e dos cabelos desgrenhados das tardes de domingo e conseguiu apenas dar boa noite, via skype, deixando de dizer o mais importante, o complemento do título e que ficou apenas no rodapé do caderno: “…levou contigo meu coração, meus sonos fartos no sofá da sala, seu cheiro permanece forte entre meus lençóis e meu coração dorme o tempo inteiro em seus braços.”

“O amor é sexualmente transmissível”

Mesmo após alguns meses continua a ser estranho a sensação de despedir-se sem abraços apertados, beijos e cheiros que nos envolviam recorrentemente.  Chega a ser áspero e doloroso não poder tocar-lhe as mãos, os lábios ou senti-lo num impulso constante. Espasmos frios percorrem os lençóis que anteriormente acordavam em lentidão de tesões normais, que inundavam nossos espaços em fagulhas de fumaças que transcorriam entre nossos corpos que dispíamos a cada entrega como se fosse a primeira vez, mesmo conhecendo cada detalhe, as pintas e os sinais marcados. “A grande desgraça é que as lembranças não bastam para confortar os amantes. Nunca se aplacam”, é bem no início do livro e já me sinto inerte na certeza que realmente elas apenas assolam meu coração nessa manhã de calor e percebo que falo dessa ausência cá em meio a meus braços e esse espaço vago em mim que cabiam anteriormente,  na medida certa, suas mãos.

Dias cinzas…

Na última semana têm chovido e garoado por aqui.  Dentro do ônibus rumo a Barra, eu reparei que o Rio de Janeiro continua lindo, mas ficou meio desbotado, maré baixa e muita neblina. Inverno chegando. Pra esperar verões ardentes ou marés bem cheias de tudo que já foi vivido.

“Só o amor salva, cicatriza a minha alma…”.


Sobre as doses

Fotogramas, recortes, poemas, palpites, percepções, detalhes minuciosos, cigarros e papos de boteco nem sempre tão diários ou homeopáticos.

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