Rio, 11 de Junho de 2008

A data nunca é escrita de forma simétrica, na Tv outro filme repetido lanço entre olhares, o sono vem chegando e as mãos inquietas não páram, não adormecem, batucam em um caderno velho, coisas a transpôr ao computador, darei enter.
Pausas, entrelaço os dedos entre os cachos, luta contra a vontade de repousar. Feist embala. A cama está longe, talvez adormeça no sofá e acorde outro dia junto a dores. Penso palavras que não saem…
Quantos foram os momentos cruciais para este sentimento culminado ou simplesmente esquecido entre tantas novas confusões excitantes. Não por desistência ou falência múltipla de um coração agora diferente do que fora anteriormente, a doçura amarga se esvai por outros mergulhos, já não há reconhecimento no outro, algumas rugas talvez pouco comuns a nossa idade e a pele, pêlos e corpo orgástico tão comuns a nossa idade. Sinto perfumes antigos, de roupas antigas e presenças passadas como em novos passos de dança que nos pegam a cintura levemente e as mãos percorrem as costas e beijam-me a nuca, mas que sempre possuirão durabilidade, isso gela aqui dentro do quarto quente. Ouço músicas de dias novos, músicas de dias desfrutados no passado e sem ao certo saber que rumo tomaram e quais serão seguidos. Algumas saudades apertam e quase não são ditas, por precaução. Vontades sentidas e uma estranha sensação na vontade de se viver assim, junto, com os pés levemente a cima do solo…

2 Respostas para “Rio, 11 de Junho de 2008”


  1. 1 julie 24 Julho , 2008 às 3:01 pm

    escreve muito bem…adorei!
    beijoooo

  2. 2 Camila 27 Julho , 2008 às 1:39 am

    “a doçura amarga se esvai por outros mergulhos”

    simplesmente incrivel.


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Fotogramas, recortes, poemas, palpites, percepções, detalhes minuciosos, cigarros e papos de boteco nem sempre tão diários ou homeopáticos.

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